Pintinha,
Você completou nove meses ontem e a mamãe esqueceu de escrever a cartinha! Mas ainda vale, né?
Sua maior novidade foi ter entrado na creche. É um espaço fofo, com professoras legais e um monte de coleguinhas para você brincar, lamber, levar mordida e puxar o cabelo. Acho que você gosta de ir para lá! De vez em quando dá uma choradinha para entrar, mas logo se distrai com as músicas e as brincadeiras.
Você está tentando engatinhar, mas ainda não conseguiu coordenar todos os membros necessários para executar essa tarefa. É difícil, filha! Só agora observando você é que percebo isso.
Você adora ficar em pé sozinha, segurando em alguma coisa, ama bolas e chocalhos, dança quando toca música, faz charminho piscando os olhos, adora beijinho no pé. Come biscoito de polvilho e maisena, fica de olho em qualquer coisa que eu esteja comendo (hoje roubou parte da minha tangerina de café da manhã).
Continua almoçando e jantando bem, dorme que é uma maravilha, ainda mais quando chega cansada da escola. Aliás, por falar em escola, já pegou alguma caqueira por lá, e ficou espirrando e tossindo. Dos males, o menor: você não teve nenhum outro sintoma além desses, viva o leite materno fortalecendo seu sistema imunológico!
Agora, na hora de mamar, você acha que é recém-nascida e fica 30, 40 minutos no peito. Não é fome, é chamego. Mas nós duas gostamos, não é?
Seu pai anda com ciúmes porque você só quer saber de mim. Mas que injustiça: você sorri e brinca com as outras pessoas também -- graças a Deus virou uma criança simpática!
Te amo muito muito muito muito.
Beijos chameguentos,
Mamãe.
Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012
Para Ana Maria XXII
Por Catarina Chagas @ 9:26 AM 0 leitores pensam também!
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Terça-feira, Fevereiro 07, 2012
Na reunião de pais...
Sou estreante nessa função de mãe de aluna. Ainda acho esquisito ser chamada de mãe pelas professoras, não sei muito bem como me portar durante a adaptação nem o que perguntar nas reuniões com pedagogas, psiólogas e afins. Mas sou boa observadora, e já identifiquei alguns tipos que frequentam reuniões escolares...
A mãe executiva
Ela é a única mãe que trabalha no mundo, ou assim parece pensar. Chega atrasada na reunião, precisa sair cedo e sua expectativa em relação à creche é que canse bastante seus filhos, para que durmam como uns anjos à noite. Manda duas babás diferentes para fazer a adaptação das crianças.
A mãe dona de casa
Ela não trabalha e poderia ficar com os filhos o dia inteiro, mas o marido acha que a escola faria bem às crianças. Sabota secretamente o processo de adaptação, para mostrar como as crianças são apegadas a ela de um jeito que professora nenhuma pode suprir.
A mãe tímida
Está cheia de dúvidas sobre tudo que diz respeito à escola, mas a timidez não lhe permite abrir a boca até o final da reunião, quando chama uma psicóloga no cantinho e dispara 2134 questões de uma vez.
A mãe gente boa
Cumprimenta todo mundo ao chegar e faz questão de saber o nome de todas as crianças. Com os professores, é simpática e agradecida, e só faz perguntas realmente pertinentes.
A mãe sabichona
Desconfiada, questiona todos os critérios pedagógicos por trás da escola. Durante a reunião de pais, sugere novos métodos, novas técnicas, novos planos de aula -- afinal, a mãe dela criou sete filhos desse jeito e são todos adultos sensatos.
A mãe perua
Tem sempre uma reclamação na manga, sobretudo em relação àquela roupinha da filha que sumiu. Será que está na casa de alguém? Quando tem feriado na quinta-feira, aparece na sexta de biquíni para levar a criança.
A mãe cult
Seus filhos nunca usaram chupeta, não veem televisão e nem sabem o que é biscoito recheado. Sugere passeios alternativos, que tal visitar um acampamento dos sem terra em vez de ir ao jardim zoológico?
A mãe sem noção
Aproveita a reunião para falar mal do filho dos outros, e não precisa ser pelas costas. Reclama da mordida que o filho levou, do puxão de cabelo e do piolho que infestou o travesseiro da NASA.
UPDATE
A mãe perdida
Marinheira de primeira viagem, não sabe muito bem o que esperar da escola ou como funciona o processo de adaptação. Não recebeu a última circular e, por isso, não entende metade do que a pedagoga está falando.
O pai(u) mandado
Geralmente casado com a mãe executiva. Tem uma certa cara de pateta, mas parece gente boa. Fica calado durante toda a reunião e olha para baixo quando a mulher fala alguma besteira.
O pai participativo
Espécie rara. Aparece na reunião sozinho, pois a mãe das crianças está viajando. Ouve com atenção o que as outras mães falam e, quando é ele a falar, todas as mulheres na sala se derretem por ele, desejando secretamente que seus maridos fossem semelhantes ao bonitão.
E você, em que tipo se encaixa?
Por Catarina Chagas @ 8:27 PM 3 leitores pensam também!
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A creche da Aninha e o comunismo às avessas
Já havia reparado nisso antes, mas agora, com a creche, ficou muito mais evidente: ninguém tem imaginação. Todo mundo que viajou para os Estados Unidos para fazer enxoval trouxe exatamente as mesmas coisas, com uma pequena variação na cartela de cores e estampas que acompanha o sexo da criança.
Os carrinhos são iguais, as mamadeiras e copinhos são os mesmos, as roupas são i-d-ê-n-t-i-c-a-s. Na creche, é importante etiquetar e colocar nome em tudo, senão fica impossível identificar -- a diferença é que, antes, os uniformes tinham a logo da escola.
Não sei onde, mas deve haver em algum lugar uma lista obrigatória de bens dos bebês de seis a 12 meses, e todo mundo seguiu à risca. Estamos tão padronizados!
O resultado é que, lá na turma da Aninha, ninguém pode se sentir excluído: todos têm as mesmas coisas, numa vivência quase, hum, não me batam, comunista. A diferença é que os uniformes e apetrechos não foram fornecidos por governo nenhum -- muito pelo contrário.
Por Catarina Chagas @ 5:29 PM 1 leitores pensam também!
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Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012
Tchau, mãe!
Minha mãe sempre diz que seu maior trauma materno foi me levar à escola pela primeira vez. Do alto de meu palmo e meio de altura (um ano e pouco? dois?), olhei para aquele lugar desconhecido e cheio de novidades, virei para ela e disse: "Tchau, mãe!"
Isso traumatiza, vocês sabem. Décadas depois, ainda escuto e reescuto a mesma história -- minha mãe não vai nunca me perdoar por ela.
Mas o destino tem seus caprichos; tudo que vai, volta; e já dizia o Lulu Santos que a vida vem em ondas como o mar. Assim, nesse indo e vindo infinito, dei lá, tomei cá. Hoje, no primeiro dia da Ana Maria em sua creche/escola, o passado cobrou seu preço.
Foi só entrar pelo portão, uma psicóloga que ia passando veio dar bom dia. Tum. Ana Maria se joga no colo dela. Meio atordoada com a iniciativa inesperada da filhota, vou acompanhando o passeio dela e sua nova amiga pelo pátio, as salas em volta, a escada que dá no berçário. Os olhos curiosos registram tuuuuuudo -- que bom é ter um disco rígido cheio de espaço para memórias novas.
Chegamos à sala da Aninha, as "tias" já lá esperando, e novamente minha pequena exploradora já se joga para uma delas. Vai para o chão com as outras crianças, pega uns brinquedos, escuta umas músicas, tenta puxar o pé de uma e o cabelo de outra, essas coisas. Ri, feliz.
Do cantinho, observo e cambaleio entre a vontade de chorar e o orgulho de minha filha ainda tão pequena já se mostrar independente e segura. Durante o pouco tempo que ficamos lá hoje esbanjou simpatia, sorrisos e charminhos, umas piscadelas deliciosas. Na hora do almoço, parecia uma lady, tão comportada, sentada direitinho, aguardando sua vez enquanto os colegas faziam um escarcéu.
Se, no futuro, contar a ela a mesma história que ouvi de minha mãe (certamente contarei, acrescentando um draminha básico, exatamente como minha mãe faz comigo), preciso contar também que o episódio nos aproximou e identificou ainda mais: já que as características físicas vieram só do pai, enxergar na Aninha traços da minha própria personalidade traz uma pontinha de satisfação. Minha pequena desbravadora!
Por Catarina Chagas @ 3:29 PM 2 leitores pensam também!
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Sexta-feira, Janeiro 20, 2012
Crônica de uma noite de quinta-feira
Lá pelas três da manhã, o pai teve um ataque de tosse. Coincidência ou não, a criança acordou berrando no meio da madrugada, coisa que já há alguns meses não costumava fazer.
A mãe levanta, vai até o berço, pega o bebê no colo. A sensação fresquinha no braço lhe confirma: está molhado.Toca o colchão -- mesmo veredito.
Vai até o quarto chamar o pai. Na fralda limpa e na fralda suja, haviam prometido alguns anos antes. Ou algo assim.
Pai troca o lençol, mãe troca a criança. Durante o processo, novo jorro de xixi. Quanto líquido essa criança bebeu hoje?
Pai limpa o chão, mãe troca a criança. De novo. Depois lava o pé, atingido pelo líquido morno, e vai pegar pano e álcool para limpar o trocador.
A essa altura, bebê já está sentada no berço brincando e falando como se fosse a manhã de amanhã. Não está com sono, minha filha? Não estava.
Põe para mamar, no escurinho silencioso e fresquinho de um quarto com ar condicionado. CNTP. Olhão aberto. Dia desses ainda tomo um Rivotril antes da mamada para ver no que dá. Ou Lexotan.
Coisa difícil é convencer uma criança que não quer dormir. Após algumas batalhas, os pais vencem a guerra, faz-se silêncio outra vez. Só mais três horas até que o despertador dengoso e gorducho toque novamente.
Por Catarina Chagas @ 9:07 AM 3 leitores pensam também!
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Quinta-feira, Janeiro 19, 2012
Cuspindo alto
Li em algum lugar (provavelmente um blog de mãe, mil desculpas por não lembrar qual é) que a maternidade é um eterno cuspir para o alto. Antes de ter filhos, você sai disparando cuspe e convicções, crente que sabe tudo, que vai ser melhor que a Super Nanny na educação das crianças.
Daí o filho nasce, e imediatamente algumas gotinhas de cuspe começam a cair na sua cara. Você vira sua própria mãe, mesmo que tenha jurado na adolescência que isso não aconteceria, e mais: você acha legal. Jura de pé junto que não há mãe no mundo melhor que a sua, e que vai fazer tudo exatamente como ela fazia, porque é o jeito CERTO.
Mesmo com a cara já meio babada, do seu próprio cuspe e do cuspe lindo e cheiroso do seu bebê, você continua disparando certezas. Daí existem duas opções:
1) Acontece tudo ao contrário e é mais cuspe que volta
2) Você consegue fazer tudo como planejou e fica mais metida e mais cuspidora
No meu caso,
1) Eu falava para todo mundo que ia fazer parto normal, que tem que insistir porque os médicos querem fugir, mas vale a pena e mil argumentos; mas acabei passando por uma cesárea, na hora fez sentido o que o médico falou, agora não sei mais, e vou ter que conviver com a dúvida sobre se eu deveria ter insistido no parto normal ou não (até hoje não sei o que faria se passasse exatamente pela mesma situação). Olha o cuspe fazendo "plof" na minha testa.
1) Sempre disse que tem que colocar o bebê para dormir sozinho, que ele tem que aprender a se virar e não a ficar no colo; mas acabo passeando pela casa com a Aninha nos braços, porque é mais fácil assim e porque ela é tão lindinha e gostosa e cheirosa e não vai ser assim pra sempre então tenho que aproveitar. Outro cuspe, agora na bochecha.
1) Defendia o aleitamento materno exclusivo até os seis meses; mas depois lembrei que trabalho num país onde a licença-maternidade é só de quatro, mesmo emendando um mês de férias e trocando de emprego para enrolar mais 15 dias, não pude ficar seis meses inteiros à disposição e, considerando que ainda há um período de adaptação do bebê aos novos alimentos, no final a Aninha tomou (e odiou) seu primeiro suquinho de laranja pouco após completar cinco míseros meses. Continuou tendo leite materno como principal alimento até os seis e meio e segue vidrada na coisa, não dá sinais de querer largar -- ainda bem! --, mas agora só pode mamar de manhã e à noite. Mais um cuspinho no queixo -- mas o que é um cuspinho para quem vive babada pela criança? Sigo cuspindo!
2) Acho chupeta um mal totalmente desnecessário e, embora tenha comprado umas por precaução e medo de não aguentar a pressão, tive a sorte de parir uma criança tranquila. Quando ela queria sugar, peito. E logo ela aprendeu a dormir por horas e horas e horas e continuo não vendo motivo para atochar um troço de silicone na boca do bebê.
2) Não queria e não queria mamadeira, por falta de opção acabei tentando, mas a bebezinha lindinha-cuti-cuti-da-mamãe também não quis. Fomos direto para o copinho e morro de orgulho dessa mocinha tão grande e comportada.
2) Acredito piamente que mãe e babá não foram feitas para conviver no tempo e no espaço, ou seja, não curto nem um pouco a ideia de outra pessoa cuidando da minha filha nos momentos em que posso estar com ela (nos momentos em que não posso, é outra história -- mesmo assim não opto pela babá, mas entendo quem o faça). Então fomos eu e dr. Papai que ficamos sem dormir quando foi preciso, fomos nós que trocamos as fraldas e aprendemos a acalmar, que pegamos no colo, que demos remédio e levamos para tomar injeção, que acompanhamos nas festas dos amiguinhos. Seremos nós sempre que possível.
O desafio desta vida, pois, é saber se equilibrar entre os sucessos e fracassos das nossas convicções maternas e nunca, NUNCA entrar numa discussão com outra mãe de opinião divergente -- afinal, as minhas certezas podem ser exatamente as dúvidas dela, e cada uma é para seu filho a melhor mãe que pode e acredita melhor ser, tá ou não?
Por Catarina Chagas @ 8:54 PM 2 leitores pensam também!
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Segunda-feira, Janeiro 16, 2012
Para Ana Maria XXI
Chuchuzinha,
Que bom celebrar seus oito meses!
Nossa vida segue uma delícia, e não tem como ser diferente. A cada dia você tem uma gracinha nova.
Você já fala (pelos cotovelos) várias sílabas: ma, pa, da, nha, lá e tantas outras. Porém, ainda não sabemos precisar se você liga os nomes às pessoas (às vezes me chama de mamama, mas ainda parece acidente).
Você brinca de chacoalhar e bater tudo para fazer barulho. Ganhou de Natal mil brinquedos barulhentos e ama todos.
Não engatinha ainda, mas já tenta, e consegue se arrastar pelo chão para chegar onde quer (geralmente, você quer sair do tapete de brincar e cair no tapete da sala; ou se jogar da cama, o que, felizmente, estamos conseguindo evitar por enquanto).
Há poucos dias você descobriu a articulação do seu pulso (!) e é muito fofo ver você virando as mãos de um lado para o outro, olhando como se fosse a coisa mais interessante do mundo -- e é.
Come que é uma beleza, dorme lindamente, sorri até para os desconhecidos. Dá uns beijos deliciosos na mamãe. Um anjo de bebê. Somos tão sortudos!
Você adora ficar na casa da vovó e fazer bagunça com os primos. Gostou de ir à piscina, mas ainda não foi à praia. E vai começar a creche daqui a pouquinho!
Vendo você tão crescida, fica até difícil acreditar que ontem mesmo você era uma nenenzinha. Cada vez mais linda e, ó, cada vez mais parecida com o papai -- mas não diz pra ele que eu admiti, senão ele fica metido.
Um beijo cheio de orgulho,
Mamãe.
Por Catarina Chagas @ 11:15 PM 0 leitores pensam também!
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