A fina arte do balão
[Em homenagem a Mariana Sampaio]
Jovem economista de 25 anos, Gabriel trabalha durante toda a semana em um escritório no agitado centro do Rio de Janeiro. Para a namorada, igualmente jovem, mas não economista (para não virar história de terror), sobram apenas umas poucas horas no domingo, quando o chefe não exige que o funcionário recém contratado cumpra alguma horas extras de labuta.
Juliana, a moçoila apaixonada pelo jovem e esforçado trabalhador, compreende a necessidade de tanto afinco no ganha-pão diário, pois, sendo também uma jovem profissional, conhece as dificuldades próprias do início de uma carreira e o assustador mercado de trabalho nacional. Juliana, como o amor, tudo espera, tudo supera, tudo suporta, tudo crê.
Aprisionado na Avenida Rio Branco, Gabriel dedica-se às análises de ações, aos relatórios, às secretárias. Tantas tarefas difíceis coordenadas por chefes tão insuportáveis quanto caminhar de terno pelas ruas no alto verão carioca. Felizmente, a jornada de trabalho chega ao fim logo no início da noite.
Unidos pelo cansaço comum, o jovem economista e os colegas procuram repouso em copos mal-lavados displicentemente arranjados sobre instáveis mesas de alumínio. Uma última reunião os espera antes da cama. A contagem das garrafas fica a cargo do garçom, parceiro de importantes decisões, conselheiro amigo, diretor da jornada noturna.
Juliana acompanha Regina Duarte e Antônio Fagundes na novela das oito. Sente saudades, mas não liga, para não fazer o papel de namorada ciumenta e controladora. Gabriel também sente falta, mas deixa a ligação para depois e acaba esquecendo. Avisou que estaria em reunião até mais tarde nesta terça-feira, não há problemas. Deixa o assunto de lado e volta a conversar com as companheiras que acabam de chegar.
No dia seguinte, a noite-Mônica é dedicada aos estudos em grupo para a prova de mestrado. Na quinta, as horas-Carla são exclusivas da despedida de solteiro de um amigo sem casamento marcado. Na sexta-Simone, é inadiável o fechamento dos relatórios que devem ser enviados aos sócios do escritório no exterior. O dia de sábado inteiro é destinado ao trabalho. A noite é de Juliana. Seria proveitosíssima, não fosse o desagradável telefonema do chefe-Luana no domingo de manhã.
[O conteúdo deste texto é puramente fictício. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Mas o universo conspira a favor delas, não é?]
1 leitores pensam também!:
hahahahahahaha!!!! muito bom saber que uma história um tanto quanto surreal pode se transformar num post discontraído.
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