Terça-feira, Novembro 08, 2011

On being a working mom

Desde que engravidei já sabia que algumas coisas precisariam mudar na minha vida profissional. Sabia, por exemplo, que não duraria muito no trabalho em que estava, que ficava longe demais de casa. Precisava encontrar algo mais perto, com horário mais flexível, rotina menos louca e, de preferência, com um upgrade de salário para ajudar a acomodar as novas despesas bebeísticas no orçamento familiar.

Até aí ok, esse raciocínio não é difícil de fazer. Mas como é que uma mulher grávida muda de emprego? Não dá nem para procurar nada -- um barrigão assusta mais numa entrevista de admissão que currículo com erro de português, aposto. Fiquei quieta.

Um belo dia recebi uma proposta que se encaixava exatamente nos meus planos. Melhor: de alguém que sabia exatamente da situação barriguda em que me encontrava e que se dispôs não só a me convidar mesmo assim, mas também a esperar o fim da minha licença maternidade para concretizar a contratação. Pacote completo. É nessas horas que a gente sabe que Deus existe, é ou não é?

Os primeiros meses da Ana Maria certamente foram mais tranquilos por causa disso: afinal, eu já não precisava mais me preocupar em como trabalhar num canto da cidade e morar no outro, com risco de não conseguir chegar depressa quando minha filha precisasse de mim. Ao mesmo tempo, rolavam a empolgação e a expectativa boas de se começar um trabalho novo.

Daí passaram maio, abril, junho, julho, agosto, setembro. Em outubro, realizei que eram poucos os dias de corujice exclusiva que me restavam, e começou a bater o desespero que tenho certeza que todas as leitoras-mães-trabalhadoras deste blog conhecem, a angústia de se separar da cria, de deixá-la aos cuidados de outrem.

No meu caso, sortuda que sou, outrem seria a melhor pessoa do mundo para cuidar da pequena depois de mim: super papai, que se dispôs a tirar férias e cuidar da prole com o objetivo de retardar sua ida para a creche. Mesmo assim, não foi fácil.

Que minha filha precisa crescer e se tornar independente, vejam bem, eu sei. O problema é que ela ainda é muito pequena e vai ser sempre a miudinha da mamãe eu também preciso criar essa independência toda. Depois de sete meses e meio com a pequena dentro de mim e outros cinco e meio com ela ao alcance das minhas mãos ou pelo menos dos meus olhos, este é um exercício difícil.

Pensei várias vezes em deixar pra lá essa vida de mulher moderna e trabalhadora, mas nenhuma delas apagou em mim a convicção de que é importante eu trabalhar. Por mim, por ela. Poderia desfiar uma lista de motivos (e quem opta por não trabalhar mais também tem os seus e tenho certeza de que são igualmente justos), mas o que importa é que eu já tinha decidido assim, e já sabia que seria difícil, e precisava então vencer o primeiro impacto, que é o pior no final das contas.

Daí passaram os preparativos, introduzir frutas na dieta da pequena etc., e veio o grande dia primeiro de novembro. E não me julguem: a véspera foi pior.

Pensar na separação (olha o drama!) foi muito mais doloroso. No dia seguinte, eu tinha coisas para me distrair, um trabalho novo cheio de novos desafios, um montão de coisas para fazer, documentos para assinar, pendengas pra resolver. Gosto de trabalhar. É claro que gosto muito mais de ficar com a minha filha, mas gosto de trabalhar. Me dá prazer, me faz feliz, me realiza. E isso torna as coisas mais fáceis, embora não apague totalmente o aperto que dá.

Já tenho na minha mesa um porta-retrato com a foto da Aninha onde se lê "em caso de saudade, quebre o vidro"; a imagem de fundo do meu desktop é outra foto dela; a do meu celular, uma terceira; e ainda tenho uma quarta pendurada num quadro de cortiça ao lado de minha mesa. Tem o telefone bem pertinho, e tem a mamada na hora do almoço (olha aí outra vantagem de trabalhar perto de casa). É o meu arsenal anti-saudade.

E tem a volta pra casa. Que motivo maravilhoso para voltar pra casa! Que sorrisos recebo, em que grude gostoso ficamos, como aproveitamos a presença uma da outra! E, no dia seguinte ao me despedir, explico de novo que saio, mas volto, e que teremos de novo a alegria do reencontro.

Vamos criando assim nossa independência e nossa cumplicidade, construindo nossa própria dinâmica familiar. É bom.

E, ainda por cima, toda vez que ligo o computador e abro um arquivo, toda vez que passo pela porta da minha sala, toda vez que atendo o telefone, reforço minha certeza de que a Ana Maria é o motivo pelo qual faço tudo isso. Espero que um dia ela se orgulhe da mamãe e, como eu, encontre uma profissão bacana e que a faça feliz.

3 leitores pensam também!:

Renata Rainho disse...

Boa Sorte! Haja maturidade pra se separar da cria né. bj

Flavia Bernardo disse...

Post maravilhoso, Cata!!!
Muito sucesso no novo trabalho e tranquilidade pra essa angustia da separação. Não é facil mesmo!

bjks

Isabella Zappa disse...

Chorei...