Li em algum lugar (provavelmente um blog de mãe, mil desculpas por não lembrar qual é) que a maternidade é um eterno cuspir para o alto. Antes de ter filhos, você sai disparando cuspe e convicções, crente que sabe tudo, que vai ser melhor que a Super Nanny na educação das crianças.
Daí o filho nasce, e imediatamente algumas gotinhas de cuspe começam a cair na sua cara. Você vira sua própria mãe, mesmo que tenha jurado na adolescência que isso não aconteceria, e mais: você acha legal. Jura de pé junto que não há mãe no mundo melhor que a sua, e que vai fazer tudo exatamente como ela fazia, porque é o jeito CERTO.
Mesmo com a cara já meio babada, do seu próprio cuspe e do cuspe lindo e cheiroso do seu bebê, você continua disparando certezas. Daí existem duas opções:
1) Acontece tudo ao contrário e é mais cuspe que volta
2) Você consegue fazer tudo como planejou e fica mais metida e mais cuspidora
No meu caso,
1) Eu falava para todo mundo que ia fazer parto normal, que tem que insistir porque os médicos querem fugir, mas vale a pena e mil argumentos; mas acabei passando por uma cesárea, na hora fez sentido o que o médico falou, agora não sei mais, e vou ter que conviver com a dúvida sobre se eu deveria ter insistido no parto normal ou não (até hoje não sei o que faria se passasse exatamente pela mesma situação). Olha o cuspe fazendo "plof" na minha testa.
1) Sempre disse que tem que colocar o bebê para dormir sozinho, que ele tem que aprender a se virar e não a ficar no colo; mas acabo passeando pela casa com a Aninha nos braços, porque é mais fácil assim e porque ela é tão lindinha e gostosa e cheirosa e não vai ser assim pra sempre então tenho que aproveitar. Outro cuspe, agora na bochecha.
1) Defendia o aleitamento materno exclusivo até os seis meses; mas depois lembrei que trabalho num país onde a licença-maternidade é só de quatro, mesmo emendando um mês de férias e trocando de emprego para enrolar mais 15 dias, não pude ficar seis meses inteiros à disposição e, considerando que ainda há um período de adaptação do bebê aos novos alimentos, no final a Aninha tomou (e odiou) seu primeiro suquinho de laranja pouco após completar cinco míseros meses. Continuou tendo leite materno como principal alimento até os seis e meio e segue vidrada na coisa, não dá sinais de querer largar -- ainda bem! --, mas agora só pode mamar de manhã e à noite. Mais um cuspinho no queixo -- mas o que é um cuspinho para quem vive babada pela criança? Sigo cuspindo!
2) Acho chupeta um mal totalmente desnecessário e, embora tenha comprado umas por precaução e medo de não aguentar a pressão, tive a sorte de parir uma criança tranquila. Quando ela queria sugar, peito. E logo ela aprendeu a dormir por horas e horas e horas e continuo não vendo motivo para atochar um troço de silicone na boca do bebê.
2) Não queria e não queria mamadeira, por falta de opção acabei tentando, mas a bebezinha lindinha-cuti-cuti-da-mamãe também não quis. Fomos direto para o copinho e morro de orgulho dessa mocinha tão grande e comportada.
2) Acredito piamente que mãe e babá não foram feitas para conviver no tempo e no espaço, ou seja, não curto nem um pouco a ideia de outra pessoa cuidando da minha filha nos momentos em que posso estar com ela (nos momentos em que não posso, é outra história -- mesmo assim não opto pela babá, mas entendo quem o faça). Então fomos eu e dr. Papai que ficamos sem dormir quando foi preciso, fomos nós que trocamos as fraldas e aprendemos a acalmar, que pegamos no colo, que demos remédio e levamos para tomar injeção, que acompanhamos nas festas dos amiguinhos. Seremos nós sempre que possível.
O desafio desta vida, pois, é saber se equilibrar entre os sucessos e fracassos das nossas convicções maternas e nunca, NUNCA entrar numa discussão com outra mãe de opinião divergente -- afinal, as minhas certezas podem ser exatamente as dúvidas dela, e cada uma é para seu filho a melhor mãe que pode e acredita melhor ser, tá ou não?
Quinta-feira, Janeiro 19, 2012
Cuspindo alto
Por Catarina Chagas @ 8:54 PM
Marcadores: maternidade
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2 leitores pensam também!:
Catarina,
Tá iNgualzinho eu e Davi. Passei por uma cesárea e até hj me questiono se foi mesmo necessária. Davi não usa chupeta e mamadeira (viva pra mim tb!). Viveu no colo enquanto quis (hoje não para mais quieto e ama um chão). Começou a comer antes dos seis meses (mesmo eu com minha licença linda de 6 meses + férias; o bichinho teve prisão de ventre com LM e já entrou no mamãozinho desde cedo). E o pior de todos os cuspes: dorme na minha cama mais da metade da noite.
bjão
Concordo com você em quase tudo!! Eu também era cheia de teorias, mas na hora que o neném nasce é tudo diferente...mas a gente acaba acertando...a única coisa que faço diferente é com a tal da chupeta e ela tem me ajudado muito na hora que preciso amamentar, ou trocar fralda da Bruna e preciso que a Clara sossegue um pouquinho...um grande beijo
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