Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Tchau, mãe!

Minha mãe sempre diz que seu maior trauma materno foi me levar à escola pela primeira vez. Do alto de meu palmo e meio de altura (um ano e pouco? dois?), olhei para aquele lugar desconhecido e cheio de novidades, virei para ela e disse: "Tchau, mãe!"

Isso traumatiza, vocês sabem. Décadas depois, ainda escuto e reescuto a mesma história -- minha mãe não vai nunca me perdoar por ela.

Mas o destino tem seus caprichos; tudo que vai, volta; e já dizia o Lulu Santos que a vida vem em ondas como o mar. Assim, nesse indo e vindo infinito, dei lá, tomei cá. Hoje, no primeiro dia da Ana Maria em sua creche/escola, o passado cobrou seu preço.

Foi só entrar pelo portão, uma psicóloga que ia passando veio dar bom dia. Tum. Ana Maria se joga no colo dela. Meio atordoada com a iniciativa inesperada da filhota, vou acompanhando o passeio dela e sua nova amiga pelo pátio, as salas em volta, a escada que dá no berçário. Os olhos curiosos registram tuuuuuudo -- que bom é ter um disco rígido cheio de espaço para memórias novas.

Chegamos à sala da Aninha, as "tias" já lá esperando, e novamente minha pequena exploradora já se joga para uma delas. Vai para o chão com as outras crianças, pega uns brinquedos, escuta umas músicas, tenta puxar o pé de uma e o cabelo de outra, essas coisas. Ri, feliz.

Do cantinho, observo e cambaleio entre a vontade de chorar e o orgulho de minha filha ainda tão pequena já se mostrar independente e segura. Durante o pouco tempo que ficamos lá hoje esbanjou simpatia, sorrisos e charminhos, umas piscadelas deliciosas. Na hora do almoço, parecia uma lady, tão comportada, sentada direitinho, aguardando sua vez enquanto os colegas faziam um escarcéu.

Se, no futuro, contar a ela a mesma história que ouvi de minha mãe (certamente contarei, acrescentando um draminha básico, exatamente como minha mãe faz comigo), preciso contar também que o episódio nos aproximou e identificou ainda mais: já que as características físicas vieram só do pai, enxergar na Aninha traços da minha própria personalidade traz uma pontinha de satisfação. Minha pequena desbravadora!

2 leitores pensam também!:

Ana Claudia disse...

Catarina...pode ter certeza que assim é melhor...dói demais quando a criança chora, esperneia e não quer ficar na escola (eu era dessas e minha mãe conta o sofrimento)...rs...com a minha pequena já é diferente, mais solta, menos chorona que eu...mas também entendo o que o seu lado mãe quer dizer...

bj

Liza disse...

E vc não chorou? Ai, não posso dizer o mesmo. Fiquei observando o Davi nesse dia de longe no parquinho e as lágrimas caiam por debaixo do óculos escuro. Ele tb é um belo exemplar de vira-lata e cagou pra mim. Foi logo pro colo das tias!

bju